Se tivesse que definir o Verão numa única palavra diria gelados! 
Por aqui mal as temperaturas começam a subir é sinonimo de abertura oficial da época dos gelados. Preparam-se gelados de vários sabores, mais ou menos tradicionais, de frutas ou de outros aromas, dos mais simples aos mais complexos e elaborados.
Quem me seguiu nas últimas semanas no Instagram, ficou a saber que andei por terras italianas, onde um verdadeiro gelado super cremoso e cheio de sabor não é difícil de se encontrar. Em alguns dias percorri Milão, a zona do Lago de Como e fui até à lindíssima cidade dos canais, Veneza. Em qualquer paragem o gelado tornava-se quase obrigatório, o que não foi difícil de se perceber que todos os dias houve lugar a degustar um cone ou até mesmo um copo com algumas bolas de gelado dos mais diversos sabores. Fiquei rendida ao gelado de pistachio que nem por cá consigo encontrar nenhum gelado com tamanho sabor. Fiquei encantada também com um gelado de meloa cantaloupe. Não sou menina de gelados de fruta, mas nestes últimos anos tenho feito algumas experiências com frutas e apreciado com outros olhos este tipo de gelados, ficando totalmente fã desse gelado assim como o maracujá. Os sabores são muitos, mas a cremosidade essa é única. Em Como dei a hipótese a uma granita de cereja e iogurte que não me fez arrepender. Sabores autênticos e genuínos, que só mesmo experimentando e apreciando para saber do que falo.
Já em 2014 quando aterrei pela primeira vez em Itália, cujo destino foi Roma, os gelados foram presença assídua diariamente. E desde essa altura ainda me vem à memoria o sabor do gelado de figo fresco ou o de suspiro que tanto me deixa a suspirar.



Mas volto à realidade e já em Portugal, não dispenso um bom gelado caseiro. Recentemente, passei alguns dias na zona de Tavira e foi nessa cidade que me foi dado a conhecer o gelado Dom Rodrigo, o gelado de amêndoa e figo ou até mesmo o gelado de alfarroba, sabores tão característicos e que tão bem definem o Algarve.
Mas quando falo em gelados tenho que me deixar levar pelo cheiro da Figueira da Foz e pelo sabor dos gelados da Emanha (passo publicidade). Ida à Figueira seja no Verão com calor ou em pleno Inverno com chuva e vento, é passagem obrigatória esta geladaria, nem que seja para apreciar uma simples bola de gelado num copo. Gosto de maracujá, o de cereja, o de tiramisú ou até o de figo mesclado mas é com o gelado de queijo cabra com doce de leite que me derreto toda.
Com as temperaturas que se fazem sentir e com os derradeiros morangos lá da horta reúnem-se todas as condições para ligar a máquina de gelados e preparar mais uma dose de frescura. Uns geladinhos de mascarpone com molho de morangos balsâmicos. A receita foi retirada desta receita de Gelado de Tiramisú que já tinha partilhado e adaptada  para receber na perfeição o molho de morangos balsâmico.

Quem vai resistir a tanta frescura?





Gelado de Mascarpone e Molho de Morangos Balsâmico

Ingredientes:

250 ml leite gordo
30 gr leite em pó
200 ml natas
3 gemas
110 gr açúcar
150 gr queijo mascarpone

   * Para o Molho:

300 gr de morangos (frescos ou congelados)
2 colheres de sopa de mel
1 colher de sobremesa de vinagre balsâmico branco (não muito cheia)

Preparação:

Comece por levar ao lume os leites com as natas até estar quase a ferver (não deixar ferver).
Numa taça misture bem o açúcar com as gemas. Quando o preparado dos leites estiver quente, juntar ao creme das gemas cuidadosamente batendo sempre para não cozer as gemas. Leve novamente ao lume até engrossar um pouco, o suficiente até cobrir as costas de um colher, fazendo uma "estrada" quando passamos o dedo.
Retire do lume e acrescente o queijo mascarpone mexendo bem. Deixe arrefecer e coloque no frio pelo menos umas 5 horas. (eu deixei de um dia para o outro).
Prepare o molho de morangos. Lave os morangos, retire o pé e corte em pedaços caso os mesmos sejam frescos (poderá usar morangos já congelados). Num tacho coloque os morangos, o mel e o vinagre. Deixe cozinhar uns 10 minutos ou até os morangos começarem a ficar moles. Depois retire do lume e titure um pouco ficando um molho meio espesso. Deixe arrefecer totalmente.

Entretanto coloque na máquina de gelados o preparado do queijo mascarpone e processa conforme as indicações do fabricante. 
Coloque um pouco de molho de morangos em formas pequenas, ou formas próprias para popsicles e quando o gelado estiver arrefecido coloque o preparado por cima do molho. Coloque um pauzinho de madeira ou metade de uma palha e leve ao congelador de um dia para o outro. Para servir, passe as forminhas por água até o gelado começar a descolar.


Nota: Para o caso de não ter máquina, passe esse passo.  Coloque logo o preparado numa forma alternando com o molho de morango. Leve ao congelador e durante as primeiras 2 horas misture o mesmo a cada 20 minutos para evitar a formação de gelo.


São os dias longos, em que o dia se confunde com a noite, são as temperaturas bem mais elevadas, o sol que teima em nos acordar pela manhã, o cheiro a dias de férias de chinelo no pé e calções vestidos que faz lembrar que o Verão já chegou e se instalou.
Não sendo eleita a minha estação, fico rendida e convencida quando me proporciona dias de descanso e passeio, permitindo assi apreciar os seus sabores e aromas.
E não só de mergulhos e praia se faz esta estação. Verão rima também com cor e sabor. Os aromas que todos os anos nos deixam com vontade de regresso rápido e pelos quais se anseia todo o ano. As bancas dos mercados pintam-se com as cores dos melhores produtos, os mais frescos e saborosos. Nesta cozinha tenta-se recriar uma inigualável banca de mercado fazendo da bancada o suporte para os legumes e frutos que por cá vão chegando. Dos tios, dos avós, dos pais e até dos vizinhos, a bancada vai-se compondo.
Dos doces morangos às irresistíveis e viciantes cerejas cor de rubi. Um vermelho escuro que trazem a doçura naquele pedaço de fruta. As nêsperas que mal dei conta da sua chegada e rapidamente desapareceram, não fossem elas bem carnudas e enormes, bem ao meu gosto.
É tempo de por cá chegar sacos de ameixas e pêssegos, das mais diversas variedades, diretamente da horta do pai. Reinam também as melancias, as meloas e os melões. Fruta que não dispenso, seja na sua forma mais simples, em sobremesas, num fresco gelado ou numa simples e prática salada. E são as memórias que me invadem sobre a forma de salada de meloa com presunto e mozarela que serviu de almoço num qualquer dia da semana passada, quando o pouco tempo livre para algo elaborado assim o obrigou. Já nem se fala do alperce que também teve o seu destaque.
Tal como os mercados, nesta cozinha o Verão não se esgota na fruta. Os mais diversos legumes formam-se e chegam até mim como de pipocas se tratassem. Não param de chegar. Courgetes para os salteados ou sopas, pepinos e alfaces para as saladas, tomates para compotas, molhos e saladas e os pimentos que ganham vida quando assados na brasa e acompanham um peixe assado na sua forma mais simples. Azeite por cima e já está!
Contudo há sabores que por cá vão ganhando o seu espaço. O ruibarbo é um desses exemplos. Uma planta que já tentei plantar mas sem sucesso, após alguns meses não vingou. Valeu-me as mãos amigas, que me fizeram chegar até mim uns quantos talos desta planta, cuja sua acidez dá o toque mágico a qualquer sobremesa. Deste fruto apenas se colhem os talos, rejeitando-se as folhas e raízes impróprias para serem consumidas. Das mais variadas combinações, mais ou menos tradicionais, e possíveis aplicações, regime pelo instinto e pela vontade de recriar uma receita que em tempo marquei com o post it amarelo do livro da Yossy Aferi de seu nome Sweeter Off The Vine.
Deste livro já surgiu a oportunidade de uma tarte de amoras, e a caminho muitas outras receitas que a par destas certamente encantaram os paladares cá de casa. Um livro que faço questão em que saia da estante e de transforme em receitas deliciosas, não fosse ele ir de encontro ao que mais me atrai. Receitas com produtos da estação e que funcionam em pleno.


E assim se partilha um Bolo Invertido de Ruibarbo, saído do livro já bem referenciado, como que de um desejo se trata-se quando sai da lâmpada do Aladino, numa história das mil noites.
Um bolo que apresenta um aroma a baunilha, conferindo ao bolo um sabor único que contrasta e casa na perfeição com a acidez do ruibarbo que é envolvido num caramelo caseiro que delicadamente foi preparado.
Um bolo que se assume na perfeição como uma excelente opção quando chega a hora do lanche ou quando se pretende surpreender alguém com sabores não muito conhecidos e saboreados.



Bolo Invertido de Ruibarbo
Ingredientes: 
        
400g de ruibarbo
150g de açúcar
55g de manteiga
1 c. (chá) de raspas de limão

     * para o bolo:
2 Ovos L
250g de Farinha de espelta
120 gr Manteiga à temperatura ambiente
100 gr de Açúcar
1 c. chá de fermento em pó 
1/2 c. chá de bicarbonato de sódio
1/2 c. chá de sal 
1 colher de chá de essência de baunilha
330ml de Leite

1colher de sopa de sumo de limão

Preparação:
Comece por cortar o ruibarbo em pedaços mais pequenos e ao meio, no sentido longitudinal, conforme o padrão que pretende para a cobertura do bolo.
Depois leve ao lume uma frigideira com 150 gr de açúcar, a manteiga e a raspa de limão.Quando o açúcar começar a derreter junte o ruibarbo e deixe cozinhar em lume lento por 3 a 4 minutos. Retire e deixe arrefecer um pouco.
Entretanto comece por preparar o buttermilk, misturando o leite com uma colher de sopa de sumo de limão e deixar repousar 10 minutos.

Unte uma forma de 22 cm e unte com manteiga. Disponha o ruibarbo na base formando o padrão que pretende. Por cima espalhe o caramelo que sobrou.
Numa taça misture a farinha com o fermento,o sal e o bicarbonato de sódio. Noutro recipiente bata a manteiga com o açúcar durante 5 minutos, até a mistura ficar cremosa. Junte os ovos um a um batendo a cada adição. Vá acrescentando ao preparado da manteiga a farinha alternando com o buttermilk, até ficar uma massa homogéneaDistribua a massa por cima do ruibarbo e leve ao forno pré aquecido a 180ºC cerca de 40 minutos.

Deixe arrefecer 15 minutos e desenforme com cuidado.
.








A “Aldeia Presépio”. Situada entre vales da Serra do Açor em pleno conselho de Arganil, Piódão é uma das mais belas aldeias históricas de Portugal.
Composta por casas construídas sobre socalcos, em xisto e com as portas e janelas pintadas de cor azul é assim esta aldeia que mais parece um presépio. Entre ruelas estreitas e sinuosas, fazem-se descobertas à procura de simples histórias e vivências daquela terra. É a Igreja Matriz que se destaca no cenário e que assalta de forma majestosa a paisagem. Sobressai a sua cor branca com as listas azuis.





São vários quilómetros que se percorrem até à pitoresca e simpática aldeia. Entre curvas e mais curvas, é de lá de cima que se avista o Piódão. De uma beleza rara e de uma simplicidade plena, são as suas gentes que reforçam tamanha beleza. Pessoas humildes que têm a arte de bem receber nas veias.
Por lá se vislumbram outras paisagens. Coja é um dos exemplos que podemos apreciar. A alguns quilómetros da aldeia histórica, é atravessada pelo rio Alva e é nas suas margens que se pode disfrutar em pleno da praia fluvial. Depois há os diversos percursos pedestres que a Serra do Açor proporciona. O percurso entre o Piódão e Foz d’Égua é um desses exemplos. Em Foz D’égua para além de algumas casas tradicionais, destaca-se a piscina natural formada pelo encontro da Ribeira do Piódão com a Ribeira de Chãs d’Égua.
Os muitos licores regionais que por ali se provam e aprovam, são uma excelente forma de recuperar de qualquer percurso pedestre. Acompanha na perfeição um pastel de castanha e mel, depois de se degustar uma sandes com o melhor queijo da serra.

São estes motivos suficientes para se fazer à estrada? Eu diria que são mais que suficientes para o Piódão merecer sempre uma visita.













Quando uma porta se fecha, uma ou mais janelas se abrem…. Nunca este ditado assentou tão bem na minha vida como agora. Todos os dias somos colocados à prova, todos os dias temos que encarar as situações de sorriso na cara e força no coração. Atitude positiva, coragem, e vontade de vencer. Enfrentar com toda a esperança e optimismo as situações mais difíceis e os desafios desconhecidos.
Estes últimos tempos foram tempos de mudança. O blogue Dona Delicia -Atelier de sabores que nasceu em Março de 2014 dá lugar agora, a outro espaço mais abrangente e dinâmico. Dedicada nestes últimos meses (até diria último ano) a estes lindos bolos, foram eles que me roubaram uma grande parte das minhas horas. O que eu gosto deste assalto ao meu tempo livre J. Depois compenso através de autênticos sorrisos no rosto de quem olha para cada bolo. Assim, o Dona Delícia, mais que um blogue de partilha de receitas será um espaço dedicado à área de cake design onde irá residir um portfolio de imagens dos meus últimos trabalhos na área.




Uma ideia que está integrada neste novo projeto, de novas partilhas, de outros temas, de muitas fotografias que me apaixonam e que espero que vos apaixonem também. Histórias contadas através de uma receita partilhada, de um petisco apreciado em redor de uma mesa. Uma história fotografada numa das várias viagens que faço e pretendo fazer. Fotografar culturas, povos, paisagens e comida. Dar a conhecer continentes, países mais longínquos ou de mais perto. Dar a conhecer e rever pedaços do nosso pais, que tanto tem para nos dar e que tão bem me faz (nos faz).
Neste novo espaço contam-se momentos e ideias, partilham-se conceitos inovadores e distintos, sempre ligados ao que mais gosto.
Porque sou feita de paixões, porque são esses meus gostos que me alimentam a alma e me levam a sonhar e a querer tornar sonhos uma realidade.
Sou movida pelo gosto das viagens, da descoberta. Sou apaixonada por comida, novos sabores e texturas, explosão de sabores numa receita única. Experiências gastronómicas partilhadas à volta de uma mesa entre gargalhadas e muitas conversas. Tudo isto associado a um amor incondicional pela fotografia. Paisagens, detalhes, momentos e comida… captados pela minha lente.



E é assim que surge o Hey Strawberry . Convido-vos a se juntarem a ele, a fazerem parte dele, porque ele está de braços abertos para vos receber.
Juntem-se à festa e venham saborear comigo estas minhas paixões. Para já, basta aceitarem uma fatia deste Dacquoise de Limão e Morangos.




Dacquoise de Limão e Morangos

Ingredientes:

*Para merengue:
250 gr Amêndoa triturada grosseiramente
300 gr Açúcar
6 Claras
25 fr de Farinha Maizena
1 pitada de sal

*Curd de Limão (receita adaptada deste livro e já usada nesta receita)
100 gr Sumo de Limão
Casca de 1 limão
140 gr Açúcar amarelo
60     gr Manteiga
2colheres de sopa de Leite meio gordo
2 Ovos + 3 gemas

*Creme e decoração
200 ml Natas
200 gr Queijo mascarpone
100 gr Açúcar em pó
Morangos q.b.

Preparação:

Comece por preparar os discos de merengue. Pré aqueça o forno a 150ºC.
Numa taça misture a amêndoa picada grosseiramente, 100 gr de açúcar e a farinha maizena.
Comece a bater as claras em castelo, por cerca de 2 min e vá acrescentando os restantes 200gr de açúcar sem parar de bater.
Quando estiverem firmes adicione o preparado da amêndoa e envolva tudo muito bem. Forre um tabuleiro com papel vegetal e com o preparado faça 3 discos de tamanho idênticos (cerca de 20 cm cada)
Leve ao forno por 1 hora. Findo esse tempo desligue o mesmo e deixe arrefecer os merengues totalmente dentro do forno. Pode fazer e deixar durante a noite a arrefecer.
Para preparar o curd de limão. Misture os ovos, as gema , o leite, o açúcar e a manteiga. Adicione a raspa de um limão e o sumo. Leve ao lume médio, mexendo sempre até engrossar. Depois passe por um passador de rede para filtrar os grumos e o creme ficar mais suave. Deixe arrefecer e guarde no frigorífico.
Noutra taça bata as natas até estarem firme, acrescente o queijo mascarpone também ele batido um pouco e o açúcar em pó. Envolva tudo muito bem e reserve.
Lave os morangos, retire o pé de alguns e corte em pedaços.

Para montar o Daquoise. Coloque num prato um disco de merengue, sobre eles espalhe 1/3 do creme das natas. Sobre o creme de natas um pouco de curd de limão e disponha sobre o curd os morangos em pedaços. Repita a operação até finalizar os discos de merengue. Por fim decore com o restante creme de natas e de curd. Finalize a decoração com alguns morangos inteiros.

Deliciem-se!