A “Aldeia Presépio”. Situada entre vales da Serra do Açor em pleno conselho de Arganil, Piódão é uma das mais belas aldeias históricas de Portugal.
Composta por casas construídas sobre socalcos, em xisto e com as portas e janelas pintadas de cor azul é assim esta aldeia que mais parece um presépio. Entre ruelas estreitas e sinuosas, fazem-se descobertas à procura de simples histórias e vivências daquela terra. É a Igreja Matriz que se destaca no cenário e que assalta de forma majestosa a paisagem. Sobressai a sua cor branca com as listas azuis.





São vários quilómetros que se percorrem até à pitoresca e simpática aldeia. Entre curvas e mais curvas, é de lá de cima que se avista o Piódão. De uma beleza rara e de uma simplicidade plena, são as suas gentes que reforçam tamanha beleza. Pessoas humildes que têm a arte de bem receber nas veias.
Por lá se vislumbram outras paisagens. Coja é um dos exemplos que podemos apreciar. A alguns quilómetros da aldeia histórica, é atravessada pelo rio Alva e é nas suas margens que se pode disfrutar em pleno da praia fluvial. Depois há os diversos percursos pedestres que a Serra do Açor proporciona. O percurso entre o Piódão e Foz d’Égua é um desses exemplos. Em Foz D’égua para além de algumas casas tradicionais, destaca-se a piscina natural formada pelo encontro da Ribeira do Piódão com a Ribeira de Chãs d’Égua.
Os muitos licores regionais que por ali se provam e aprovam, são uma excelente forma de recuperar de qualquer percurso pedestre. Acompanha na perfeição um pastel de castanha e mel, depois de se degustar uma sandes com o melhor queijo da serra.

São estes motivos suficientes para se fazer à estrada? Eu diria que são mais que suficientes para o Piódão merecer sempre uma visita.













Quando uma porta se fecha, uma ou mais janelas se abrem…. Nunca este ditado assentou tão bem na minha vida como agora. Todos os dias somos colocados à prova, todos os dias temos que encarar as situações de sorriso na cara e força no coração. Atitude positiva, coragem, e vontade de vencer. Enfrentar com toda a esperança e optimismo as situações mais difíceis e os desafios desconhecidos.
Estes últimos tempos foram tempos de mudança. O blogue Dona Delicia -Atelier de sabores que nasceu em Março de 2014 dá lugar agora, a outro espaço mais abrangente e dinâmico. Dedicada nestes últimos meses (até diria último ano) a estes lindos bolos, foram eles que me roubaram uma grande parte das minhas horas. O que eu gosto deste assalto ao meu tempo livre J. Depois compenso através de autênticos sorrisos no rosto de quem olha para cada bolo. Assim, o Dona Delícia, mais que um blogue de partilha de receitas será um espaço dedicado à área de cake design onde irá residir um portfolio de imagens dos meus últimos trabalhos na área.




Uma ideia que está integrada neste novo projeto, de novas partilhas, de outros temas, de muitas fotografias que me apaixonam e que espero que vos apaixonem também. Histórias contadas através de uma receita partilhada, de um petisco apreciado em redor de uma mesa. Uma história fotografada numa das várias viagens que faço e pretendo fazer. Fotografar culturas, povos, paisagens e comida. Dar a conhecer continentes, países mais longínquos ou de mais perto. Dar a conhecer e rever pedaços do nosso pais, que tanto tem para nos dar e que tão bem me faz (nos faz).
Neste novo espaço contam-se momentos e ideias, partilham-se conceitos inovadores e distintos, sempre ligados ao que mais gosto.
Porque sou feita de paixões, porque são esses meus gostos que me alimentam a alma e me levam a sonhar e a querer tornar sonhos uma realidade.
Sou movida pelo gosto das viagens, da descoberta. Sou apaixonada por comida, novos sabores e texturas, explosão de sabores numa receita única. Experiências gastronómicas partilhadas à volta de uma mesa entre gargalhadas e muitas conversas. Tudo isto associado a um amor incondicional pela fotografia. Paisagens, detalhes, momentos e comida… captados pela minha lente.



E é assim que surge o Hey Strawberry . Convido-vos a se juntarem a ele, a fazerem parte dele, porque ele está de braços abertos para vos receber.
Juntem-se à festa e venham saborear comigo estas minhas paixões. Para já, basta aceitarem uma fatia deste Dacquoise de Limão e Morangos.




Dacquoise de Limão e Morangos

Ingredientes:

*Para merengue:
250 gr Amêndoa triturada grosseiramente
300 gr Açúcar
6 Claras
25 fr de Farinha Maizena
1 pitada de sal

*Curd de Limão (receita adaptada deste livro e já usada nesta receita)
100 gr Sumo de Limão
Casca de 1 limão
140 gr Açúcar amarelo
60     gr Manteiga
2colheres de sopa de Leite meio gordo
2 Ovos + 3 gemas

*Creme e decoração
200 ml Natas
200 gr Queijo mascarpone
100 gr Açúcar em pó
Morangos q.b.

Preparação:

Comece por preparar os discos de merengue. Pré aqueça o forno a 150ºC.
Numa taça misture a amêndoa picada grosseiramente, 100 gr de açúcar e a farinha maizena.
Comece a bater as claras em castelo, por cerca de 2 min e vá acrescentando os restantes 200gr de açúcar sem parar de bater.
Quando estiverem firmes adicione o preparado da amêndoa e envolva tudo muito bem. Forre um tabuleiro com papel vegetal e com o preparado faça 3 discos de tamanho idênticos (cerca de 20 cm cada)
Leve ao forno por 1 hora. Findo esse tempo desligue o mesmo e deixe arrefecer os merengues totalmente dentro do forno. Pode fazer e deixar durante a noite a arrefecer.
Para preparar o curd de limão. Misture os ovos, as gema , o leite, o açúcar e a manteiga. Adicione a raspa de um limão e o sumo. Leve ao lume médio, mexendo sempre até engrossar. Depois passe por um passador de rede para filtrar os grumos e o creme ficar mais suave. Deixe arrefecer e guarde no frigorífico.
Noutra taça bata as natas até estarem firme, acrescente o queijo mascarpone também ele batido um pouco e o açúcar em pó. Envolva tudo muito bem e reserve.
Lave os morangos, retire o pé de alguns e corte em pedaços.

Para montar o Daquoise. Coloque num prato um disco de merengue, sobre eles espalhe 1/3 do creme das natas. Sobre o creme de natas um pouco de curd de limão e disponha sobre o curd os morangos em pedaços. Repita a operação até finalizar os discos de merengue. Por fim decore com o restante creme de natas e de curd. Finalize a decoração com alguns morangos inteiros.

Deliciem-se!









Há sítios que sempre gostamos e vamos gostar. Depois há aqueles que já sabíamos que à partida iriamos adorar.  Por fim, há os que nada esperamos e que se torna uma boa surpresa.
Monsaraz foi assim. Uma bela surpresa, amor á primeira vista. O destino das últimas férias foi escolhido um pouco ao acaso. Numa tentativa de optar por um lugar sossegado e calmo surge Monsaraz no mapa.
Destino escolhido, faço-me ao caminho até ao nosso doce Alentejo. Entre campos de perder de vista em tons de verde e amarelo, alternando com campos de cultivo de oliveiras e vinhas, chego ao meu destino.





Lugar pacato e simples, onde reina a simpatia e o bem receber das pessoas. Gentes humildes, gentes de trabalho. Ruas e ruelas estreitas, acompanhadas por pequenas casas vestidas de branco e ornamentadas com faixas na sua grande maioria amarelas ou azuis em redor das portas e janelas.
Rodeada de planícies de perder de vista, com as mais variadas tonalidades, com vista para o infinito e com ramificações do Alqueva aos seus pés, Monsaraz faz-se e vive-se entre muralhas. Lá do cimo pode-se avistar outras localidades, como São Pedro do Corval e Reguengos de Monsaraz.
O silêncio e a paz são palavras de ordem e o mote para uns dias bem passados. Conjugam-se os verbos descansar e aproveitar de várias formas. Mas é o verbo AMAR que impera nessa conjugação. Eu amei, eu amo, eu amarei esta terra tão única.





Num banco de pedra com o olhar debruçado sobre o castelo, são os pensamentos que me levam até longe numa roda-viva de emoções. Inspiro fundo como que a reter o ar puro que ali se faz sentir. Sou acordada pelo cantarolar dos pássaros que rodopiam com toda a garra sobre mim como que numa tentativa de me puxarem para a sua dança. Mas é o sino da igreja que me desperta e me rouba a atenção.





As horas ditam o momento do jantar, e se as paisagens já nos cativam é na sua gastronomia, repleta de personalidade que as expectativas se elevam. Um espectáculo de sabores e aromas que é aplaudido de pé pelo apreciador. Um desfile do que mais de genuíno se prepara no Alentejo.
Com uso abusivo do pão alentejano, dos produtos da terra, do que lá se cultiva e produz, das suas criações caseiras, chega à mesa uns quantos pedaços de pão e um caldo bastante aromatizado com coentros e poejo picados. Chega à mesa todos os elementos como de um puzzle se trata-se. Num prato coloca-se algum pão, o bacalhau e o ovo. O caldo é delicadamente colocado sobre todo o resto.
Ainda não tinha apreciado devidamente a açorda e já o cação se fazia chegar, acompanhado do pão para dar vida a uma sopa de cação. Mas a cozinha alentejana não se esgota nestes pratos. Pode-se sempre apreciar um aconchegante ensopado de borrego, umas migas alentejanas com carne de porco preto ou até uns ovos com espargos selvagens. Qualquer prato acompanhado do melhor vinho tinto ou branco que se faz nas adegas ali mesmo ao lado.
Mas uma refeição não se completa sem a sobremesa. Nesse campo é a doçaria conventual que ganha a passos largos. Um Rançoso onde a gila, a amêndoa e as gemas se juntam num só bolo, a sericaia repleta de canela e acompanhada devidamente com as ameixas de Elvas, uma encharcada divinal e um pão de rala tão típico. Fico-me por uma sopa dourada, que ganha personalidade através da junção do pão com as gemas e a amêndoa.






Alentejo, terra do bom vinho, da boa comida, de planícies e campos a perder de vista e do artesanato em barro, como é o caso de S. Pedro do Corval.

Terra genuína, terra de encantos, terra que deixa saudades e à qual prometemos regressar!













Crocantes ou não, com ou sem recheio, dos mais variados sabores e formas, coloridas ou de cor neutra, doces ou salgadas sempre me lembro de gostar de bolachas. Do Baú de memórias saem lembranças dos dias passados em casa dos meus avós. Teria uns 3 a 4 anos quando a minha mãe me levava a casa deles para ir trabalhar. E era da forma mais despercebida e silenciosa que se ia embora para não ver a minha cara triste por não estar com ela. Adoro os meus avós, mas naquele momento era o colo da minha mãe que eu mais valorizava. Quando dava conta do que tinha acontecido rapidamente me lembrava que ao final do dia poderia ter uma surpresa. Assim, nalguns dias a minha mãe chegava para me buscar de sorriso no rosto, apesar do seu cansaço, e com um pequeno pacote de bolacha Maria para me alegrar. Por vezes, eram também acompanhadas daquele chocolatinho de papel azul brilhante no qual se lia em cor amarelo forte “Taxi”.






São as memórias que tornam os biscoitos e bolachas presença assídua cá por casa. Numa bonita caixa se guardam para se trincar numa tarde de cinema, para oferecer a um amigo que nos visita, para os lanches rápidos e preguiçosos ou até mesmo para acompanhar uma chávena fumegante de chá.

Chegado recentemente às minhas mãos, o pequeno livro de receitas da Rosa é um autêntico exemplo das mais variadas receitas de bolachas. Este já é o terceiro caderno que a talentosa Rosa do Blog Be Nice Make a Cake, nos presenteia e com uma surpresa. Para além de deliciosas receitas sobre bolachas, também podemos apreciar algumas fotografias da sua autoria. Este terceiro livro junta-se aos restantes dois que estão na estante. O primeiro transporta-nos de imediato para a cozinha e leva-nos a colocar literalmente as mãos na massa. Dalí sairão pães e tartes de sabor e aromas únicos. O segundo livrinho leva ao pecado. Umas quantas receitas bem gulosas e decadentes onde o chocolate é rei.







Volto a folhear o livro e simpatizo com os Almendroados. Mentalizo a escolha e decido optar pela primeira receita a preparar. Uma bolacha rica em amêndoa. Uma massa macia e suave no centro que contrasta com o crocante da superfície e da amêndoa que a envolve. Uma bolacha que eleva a amêndoa no seu expoente máximo. Ideais para acompanhar uma chávena de chá. Quem me acompanha!!





Almendroados

Ingredientes:
250 gr farinha de amêndoa
100 gr farinha sem fermento tipo 55
250 gr açúcar
Claras de 4 ovos
1 colher de café de canela em pó
200 gr de amêndoa em palitos ou laminada
Açúcar em pó para polvilhar

Preparação:
Comece por pré aquecer o forno a 210ºC e colocar papel vegetal sobre um tabuleiro.
Numa taça, coloque a farinha de amêndoa, a farinha de trigo, o açúcar, a canela e as claras. Misture tudo muito bem com uma colher de pau até obter uma pasta.
Coloque o preparado num saco de pasteleiro e faça pequenos montinhos de massa. Por cima de cada porção coloque a amêndoa palitada e leve ao forno a cozer cerca de 12 minutos a 190ºC, ou até a amêndoa ficar ligeiramente tostada.

Retire e deixe arrefecer. Polvilhe com açúcar em pó e sirva.