Não sou mulher de grandes balanços e lista de planos anuais. Sei o que quero e principalmente os rumos que não pretendo seguir. Prefiro, de forma mais tranquila pensar na forma como as etapas da vida se vão desenrolando e os trilhos proporcionando. Mas, numa tentativa de me organizar fui forçada a fazer esse mesmo balanço e análise de um ano que teima correr a todo gás sem que o consiga apanhar e estar lado a lado.
Com os primeiros meses mais calmos, é neste período do anos que me vejo obrigada a parar e respirar fundo. E num piscar de olhos já estamos a meio de Outubro, numa estação que teima em não se manifestar e onde o tempo me escorrega entre os dedos sem dar a possibilidade de parar um pouco nesse mesmo tempo.
Mas apesar de tudo, 2017 têm me trazido até ao momento coisas boas, dias felizes, momentos que ficam, pessoas que estão no coração, retratos de felicidade, viagens realizadas, um blog rejuvenescido, uma diversidade de partilhas e muitas outras coisas boas.




O mês de Setembro, foi intenso e aproveitado ao máximo. Muito trabalho mas também fins de semana de passeios, de regressos (ao meu Porto do coração), de convívio em redor de uma mesa com as minhas pessoas e de umas mini férias bem merecidas,onde os mais atentos poderam acompanhar aqui no Instagram. Setembro foi também o mês de uma única partilha no blog, levando-vos até à cidade de Como  e assim dando continuação à viagem que realizei em Junho a Itália. Milão já tinha sido dado a conhecer e Veneza, essa cidade única ficará para uma próxima (espero que muito breve) partilha,  finalizando assim essa viagem que tão boas memórias me trás.

Mas este Outubro promete, mais partilhas e novos regressos. E nada melhor que festejar o Outono, como que a chamar a estação, para ela se instalar de vez, com uma nova receita. Sabores e cores bem alusivos ao Outono, reunidos nuns deliciosos e crocantes Churros de Abóbora. De rápida preparação, são devorados num piscar de olhos. Pequenos, de massa leve com a cor alaranjada que reflete o Outono e trazurem as abóboras que teimam em chegar a esta cozinha das mais variadas formas.
Confesso que fritos cá em casa é algo quase proibitivo, mas quando a minha amiga e querida Susana do blog Basta Cheio em conjunto com a amorosa Lia do Lemons & Vanilla, me desafiam a preparar churros para desfilar na 21ª edição do Sweet World, não há como ficar indiferente. Os churros levam-me até às feiras populares ou às festas e romarias cá da terra. As roulotes com farturas e churros, recheadas ou apenas mergulhadas naquela imensidão de açúcar e canela em pó são sempre uma presença obrigatória. Memórias de outros tempos, recordações que nos fazem reviver. Mas os churros ainda estão mais presentes, numa roulote à beira mar na praia da Nazaré, quando eu ainda criança acompanhada dos meus pais íamos passear num qualquer domingo de inverno, de agasalho no corpo, luvas e cachecol. De lá trazíamos conforto em forma de farturas e churros. Em casa, ao lume aquecia-se uma cafeteira de café que rapidamente se distribuía pelas três canecas dispostas no cima da cima. A mesa estrategicamente colocada em frente à lareira, recebíamos o primeiro bafo de calor do lume que crepitava com toda a força. Assim criavam-se e faziam-se histórias para mais tarde partilhar. Para agora as partilhar!!
E foram essas memórias e histórias que ressuscitaram e me acompanharam na confecção destes churros de sabor a abóbora e à canela, apresentados de forma simples como bem se quer. Apenas polvilhados com açúcar e canela remontando a tempos passados.





Churros de Abóbora

(inspiração daqui)

Ingredientes:

1/4 chávena de puré de abóbora
3/4 chávena de água
6 colheres de sopa de manteiga sem sal
2 colheres de sopa de açúcar amarelo
1/2 colher de chá de sal
4 ovos M
1 chávena de farinha sem fermento tipo 55
1 colher de café de canela em pó
Açúcar e canela em pó para polvilhar
Óleo para fritar

Preparação: 

Comece por levar ao forno a assar a abóbora, em pedaços pequenos, num tabuleiro com papel vegetal por cima, até a abóbora estar macia. Retire e reduza a puré.
Num tacho coloque a água, a abóbora e a manteiga. Leve ao lume até ferver. Retire e misture a farinha com a canela e o sal. Mexa muito bem de forma energética até ficar uma bola. Deixe arrefecer. Quando a massa estiver morna acrescente os ovos um a um, amassando bem ou misturando bem com a ajuda de uma batedeira eléctrica, até ficar uma massa bem ligada.
Coloque a massa num saco pasteleiro com um bico 1M. 
Leve o óleo a aquecer e quando estiver quente vá colocando pequenas porções de massa formando assim os churros. Vire-os e retire do lume. Coloque-os num prato com papel absorvente. Ainda quente polvilhe os churros com a mistura de açúcar e canela em pó. Sirva depois de frios.


Nota: Pode acompanhar os churros com um molho de chocolate ou caramelo, ficando igualmente gulosos.






     


Das cidades que visitei nesta última viagem além fronteiras, Como foi sem dúvida escolhida um pouco por mero acaso. Ou talvez não! Talvez tenha chegado até mim para ter a oportunidade de a explorar e de a dar conhecer.
Assim, numa das visitas ao Instagram e depois de passar os olhos repentinamente por uma fotografia do Lago de Como, a curiosidade sobre a sua localização fez despertar uma vontade de conhecer aquela cidade e toda a sua zona envolvente. Numa leitura rápida, em diagonal, Como é uma das muitas cidades que vivem na margem de um dos maiores lagos artificiais da Europa. Um lago formado pela neve que se vai derretendo oriunda dos Alpes Suíços, mesmo ali ao lado. Toda esta beleza imaginária me aguçou a ideia de colocar esta cidade no roteiro.
Milão serviria de ponto de partida para, através de comboio numa viagem rápida (cerca de 45 min), me fazer transportar até a um pedaço de Itália de beleza rara e única. Os dias anteriores tinham sido a percorrer as ruas de Milão, como já dei a conhecer neste post.
A zona de Como seria o contraste perfeito entre o movimento e a calmaria, entre o turismo arrebatador e o quase inexistente.
Bem cedo se começa o dia, e aquela segunda-feira não se fez diferente. Com partida da Estação Central de Milão com destino a Como, fez-se uma paragem em Monza para troca de comboio. Viagem tranquila em comboio dito regional onde até o transfer se fez sem quaisquer complicações e corridas contra o tempo. Itália apresenta uma rede ferroviária bastante boa e organizada. Nesta última viagem pôde comprovar isso mesmo.
Um dia, apenas um dia foi o tempo que reservei para explorar toda aquela zona, desde o lago (ou parte dele), a subida de teleférico até ao miradouro lá bem no cimo da montanha, assim como a cidade de Como. Mal tinha descido do comboio já me tinha arrependido por ter apenas dado um dia para Como me mostrar do que era capaz. Fiquei rendida e encantada com tamanho namoro. Um dia é muito pouco, três seria o ideal.
A ideia de explorar o lago de barco assim como a subida lá bem ao cimo, ficou para mais tarde. Quem sabe num futuro próximo.




Com o bilhete de regresso do comboio às 19h30m, era tempo de me fazer à cidade. Tranquila, pitoresca e com uma arquitectura bem sua, alguns prédios a darem um toque suíço como ar de sua graça. Percebe-se que a fronteira com a Suiça é já ali a poucos quilómetros, principalmente nalguns pontos de arquitectura.
Como, tem um centro histórico que permite passeios pedonais. A acompanhar os prédios amarelos ou alaranjados, assim como cinzas e brancos. As lojas de artesanato e de doces tradicionais fazem as delicias de quem por ali passa. Esplanadas que convidam a sentar e a petiscar algo rápido ou somente a apreciar um bom expresso acompanhado de um biscoito de amaretto (sublinho que o amaretto de pistácio é de bradar as céus).





Envolvida pela montanha de um lado e pelo lago do outro, Como vive não de um turismo em massa mas de um turista requintado e que procura a paz e serenidade. Oferece parques verdes e jardins verdejantes que casam com as águas que albergam uma pequena marina para pequenas embarcações particulares. Sobre as encostas, casas e palacetes, talvez algumas dos donos daquelas mesmas embarcações.
Um dia regresso ... é o pensamento que me acompanha enquanto subo a escadaria que me leva de volta à estação e ao comboio que me permite regressar a Milão. Um dia voltarei para explorar o lago e as suas margens, as cidades e toda a vida e história que por lá se faz.
Apesar do atraso de trinta minutos, Milão me aguardava para de lá, bem cedo no dia seguinte, continuar a aventura. Desta vez o próximo de destino será Veneza. (num próximo post).

Até lá, desfrutem de Como e quando forem a Itália não deixem de visitar.






 


Sou mulher de gostos simples e que poderia viver o Verão de petiscos. Petiscar aqui e ali, uma colher disto ou daquilo, apreciar uma mesa bem composta, que se vai degustando entre gargalhados e dois dedos de conversa. Sabores e aromas diversos, cores que combinam entre si e texturas que nos cativam e nos obrigam a apreciar cada petisco ao nosso ritmo, ao ritmo de um verão quente e solarengo, como que se fosse um dia sem fim.

Nunca fico indiferente a uma travessa com uma salada de polvo ou de orelha de porco. Ou uma salada de ovas ou até uma saborosa salada de feijão frade.  Mas derreto me totalmente por um pratinho de salada de bacalhau e grão, que se inunda de azeite e se polvilha com bastante salsa.
Mas são as moelas que me enchem as medidas e que casa na perfeição com uma (ou duas ou até três) fatias de pão caseiro. Há mesa chega uma travessa de pica pau, que se faz decorar por pickles piados grosseiramente. A mesa também se compõe com uma generosa tábua dos melhores queijos e enchidos. Um queijo seco, um queijo de cabra ou até um amanteigado queijo da serra. Um paio fumado, um chourição bem condimentado ou até um presunto serrano cheio de sabor. A morcela, a chouriça e a alheira assada fazem-se chegar num assador de barro ainda a fumegarem. Mas é o tachinho de berbigão e de ameijoa à bolhão pato que me convence por completo. 
As empadas e as tartes salgadas, assim como os folhados não são deixados ao acaso quando se fala em algo menos tradicional. Já os patés que se podem fazer apreciar numa deliciosa broa de milho ou na broa de Avintes, podem ser dos mais variados sabores, atum ou delicias do mar os mais conhecidos. Mas as tradições tendem a modernizar-se e são várias as formas que os tradicionais patés sofreram.





Hoje a receita serve na perfeição a mesa de qualquer petisco,baptizado por hummus, é uma pasta cremosa preparada com a base de grão cozido que é reduzido em puré e que com mais alguns condimentos e ingredientes fazem deste preparado um excelente acompanhamento de qualquer fatia de pão. Neste caso ao puré de grão juntei o pimento, ou não fosse o seu mês. Assei o mesmo para dar ao paté um sabor mais suave e uma cor única, uma vermelho alaranjado bem invejoso.
Uma receita que também vai estar presente na mesa da querida Marta, do blog Intrusa na Cozinha, que convidou o pimento a estar presente no seu banquete.
Levo comigo este hummus, delicioso para qualquer festa ou lanche ou até para barrar uma base de pizza cozida e depois servir de apoio a mais alguns vegetais ou ingredientes que se combinem entre si.
Uma receita simples de preparar e ainda mais fácil de devorar.





Hummus de Pimento Assado

Ingredientes:

1 pimento grande
1 lata pequena de grão cozido
1 colher de sopa de tahini
1 colher de café de cominhos
Piri-piri q.b.
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Coentros q.b.
Azeite q.b.
Sementes de sésamo pretas q.b.
Sementes de girassol q.b.

Preparação:

Limpe o pimento de sementes cortando-o em 2 metades. Leve ao forno pré aquecido a 180ºC num tabuleiro untado com azeite, cerca de 35 minutos ou até estar assado. retire do forno e deixe arrefecer. Depois retire a pele e reserve.
Reduza a puré o grão cozido através de um passe vitae. Numa taça coloque o puré de grão, o tahini, o pimento assado, o piri-piri, os cominhos, o sal, a pimenta e o azeite. Reduza tudo a puré com a ajuda de uma varinha mágica.
Coloque o preparado numa taça e polvilhe com as sementes e com os coentros picados. Acompanhe com tostas ou grissinis e sirva.







O calendário marca Agosto. Um Agosto apressado que já vai a meio. Cabe a nós correr ao seu alcance, aproveitando cada minuto, cada raio de sol que nos proporciona, cada dia quente, cada mergulho no mar ou banho de sol na areia. Os piqueniques no pinhal que tanto adoro nunca são esquecidos assim como as corridas ou caminhadas matinais enquanto as temperaturas ainda estão aceitáveis. 
É neste período que grande parte das pessoas estão de férias e aproveitam para dar passeios em família e desfrutarem um pouco desta estação, junto de quem mais gostam.
Por aqui as duas semanas que me compete já lá vão bem longe. Quem me acompanhou no Instagram percebeu por que paragens andei. Desde a cosmopolita cidade de Milão, passando pela zona verdejante e calma do Lago de Como até à cidade sempre única que é Veneza. Foram dias bastante preenchidos e bem vividos. Os quais já comecei aqui a relatar neste post sobre Milão e pouco a pouco vou mostrando mais alguns detalhes desta entusiasmante viagem.
Por agora resta-me aguardar pacientemente por mais uns dias de descanso e férias que já se avistam ao longe, bem longe...
Enquanto isso não acontece, continua-se a saborear os sabores desta estação. Este ano, mais que todos os outros tem-se aproveitado e explorado ao maximo as frutas e legumes, sabores que saem da horta caseira do pai e que adoro.
Os morangos já se acabaram, e os alperces também. Os pêssegos ainda dão um ar da sua graça, assim como as meloas. Mas são as amoras e os abrunhos os reis da festa de Verão. Uma ou outra melancia bem fresca também chega pelas mãos de familiares. Já quando se fala em legumes são as courgetes, os pepinos e os tomates bem vermelhos e cheios de garra que abundam por aqui. Com o cesto de tomates que teima em ficar ali na cozinha perfumando a mesma, faz-se compota de tomate e usa-se em molhos bem aromáticos como este que foi preparado para acompanhar esta receita dos surpreendentes Gnocchis de batata.





E por forma a celebrar o Verão que passa num piscar de olhos, nada melhor que aceitar desafios com sabores mesmo deliciosos e que casam na perfeição com esta estação.
E sobre a forma de mini tartes regresso a um doce desafio, não fosse ele o Sweet World que já vai na sua 19ª edição e no qual participei algumas vezes, não tantas como queria ter participado. Um desafio mensal que prometo estar presente com mais regularidade, ou não fossem as mentoras a querida Susana do blog Basta Cheio e a querida Lia do Blog Lemon and Vanilla.

Esta 19ª edição conta com um desfile de elegante de tartes de fruta, um tema que encaixa na perfeição. Um desfile que irá contar com não umas mas algumas mimosas Mini Tartes de Pêssegos e Amoras. Servida sob a forma de miniatura, são pequenos pedaços de pura doçura e sabor. A massa apresenta-se na sua forma mais crocante, que contrasta com a suavidade do recheio, que basicamente se forma pelo pêssego e pelas amoras que se desfazem na sua cozedura e dão origem a algo sublime.
Para um lanche ou sobremesa ou simplesmente para satisfazer a gula, dignas de qualquer mesa e celebração, deixo-vos a receita para prepararem umas quantas vezes não fossem elas uma autêntico vicio em forma de mini tarte







Mini Tartes de Pêssegos e Amoras
(serve 4 mini tartes)
(massa inspirada daqui)


Ingredientes: 

     *Para Massa: 

         2​,​5 chávenas de farinha sem fermento​ (tipo 65)
         2 colheres de sopa de açúcar
         1 pitada de sal
         150 gr de manteiga fria sem sal
         4 colheres de sopa de água gelada
         2 Sementes de cardamomo

     * Para recheio:

        3 Pêssegos grandes cortados em cubos (sem pele)
        1 mão cheio de amoras
        1 colher sobremesa de sumo limão
        1 colher de sopa de farinha sem fermento
        3 colheres de sopa de rapadura (pode-se usar açúcar amarelo em substituição)

1 Ovo
Açúcar demerara q.b.

Preparação:

Comece por preparar a massa. Num processador coloque a farinha, o açúcar, o sal e as sementes de cardamomo. Misture um pouco. Acrescente a manteiga em cubos e processe um pouco até a massa ficar tipo areia grossa. Vá acrescentando as colheres de água, pouco a pouco, processando um pouco em cada adição.
Retire do processador o preparado, molde uma bola e envolva em película anti-aderente. Leve ao frio pelo menos 30 minutos.
Findo o tempo, estique a massa e forme 4 formas de tarteletes com a massa. Reservando a restante massa para cobrir as mini tartes.
Numa taça misture as amoras, os pêssegos cortados em cubos, o sumo de limão a rapadura e a farinha. Disponha a fruta sobre a massa nas tarteletes, deixando-as bem cheias. 
Depois, com a ajuda de um cortador de bolachas, molde corações ou outras formas que pretenda e disponha por cima da fruta, formando efeitos bonitos. 
Bata o ovo e pincele as tarteletes com o mesmo, polvilhando as mesmas posteriormente com açúcar demerara.
Leve ao forno cerca de 25/30 minutos, que previamente foi aquecido a 180ºC
Retire e deixe arrefecer.